Isabela Braga |
estudante de Design da ESPM. Criei este blog para postar textos interessantes da área de design, comunicação e cinema. |

The Green Mile, ou À Espera de um Milagre, conta a história do oficial Paul Edgecomb (Tom Hanks) e sua experiência no Corredor da Morte da Penitenciária de Cold Mountain, em especial a ligação que cria com o preso John Coffey (interpretado por Michael Clarke Duncan, sendo este seu primeiro papel de expressão no cinema), sendo uma adaptação do romance de Stephen King.
Além de Edgecomb e seus dois companheiros de trabalho, o Supervisor Moores (James Cromwell), o oficial Howell (David Morse) e o insensível e prepotente Percy (Doug Hutchinson), a trama também conta com as personalidades totalmente diferentes dos presos “Wild Bill”, Eduard “Del” Delacroix, e o próprio John Coffey. Cada um reflete diferentes comportamentos e garantem diferentes experiências a Edgecomb.
Coffey é um homem negro, com mais de 2 metros de altura e extremamente forte, o tipo perfeito para ser considerado assassino, como ocorre no filme: Coffey é mandado para o Corredor da Morte acusado do estupro e assassinato de duas gêmeas brancas. “Wild Bill” também está lá pelo mesmo motivo, uma vez que cometeu diversos assassinatos durante um roubo, e “Del” foi condenado por diversos estupros e assassinatos.
Cada personagem apresenta um comportamento, podendo representar os diversos tipos que o homem lida com a morte. “Del” não se mostra mais o assassino de antes: passa todo o filme devaniando e conversando com seu ratinho, Mr. Jingles, que provavelmente foi a única real ligação que teve em toda a sua vida. “Wild Bill” se torna ainda mais obscuro e maldoso no Corredor da Morte, atormentando os policiais, matando o ratinho de Del, etc, fazendo com que inúmeras vezes seja enviado à solitária preso numa camisa de força; e nem isso faz com que ele mude de atitude. A morbidez do ambiente, e da história e do destino dos presos é claramente expressa na estética do filme: pouca luz, silêncio profundo intercalado com eventuais diálogos e alguns sons quase caóticos (a maior parte deles causados pelos escândalos de Wild Bill), alto contraste de claro e escuro, além do caráter frio das cores dos ambientes e do figurino, desde as fardas até as roupas dos espectadores das execuções na cadeira elétrica.
Em contrapartida a essa obscuridade e morbidez, Coffey apresenta um comportamento um tanto peculiar para a situação em que ele está, além de apresentar um dom desconhecido considerado místico e até mesmo mágico. Mesmo acusado de um crime que não cometeu, Coffey não se revolta nem apresenta nenhuma atitude do gênero; ao contrário, tem temperamento calmo, extremamente inocente e até mesmo ingênuo, se considerarmos seu medo incontrolável do escuro. Esse comportamento inesperado desperta a curiosidade de Edgecomb, que começa a se aproximar e criar uma ligação especial com Coffey, duvidando até mesmo de sua culpa no crime do qual foi acusado.
Depois de inúmeros episódios no Corredor da Morte que provam o dom mágico e ressaltam o caráter inocente de Coffey (por exemplo quando Percy pisa no ratinho de Del e Coffey o ressucita, ou então quando Wild Bill provoca Coffey apertando seu braço logo após a execução de Del, fazendo-o sentir que Wild Bill é o verdadeiro culpado pelo estupro e o assassinato das duas gêmeas), Edgecomb pede a Coffey que use seu dom para curar a doença da esposa do supervisor Moores. Apesar de relutante num primeiro momento, Moores aceita que Coffey saia da prisão e vá até sua casa para trazer de volta sua amada esposa. Quando Coffey consegue salvá-la, eis o dilema: libertá-lo ou levá-lo de volta ao Corredor da Morte?
Coffey é o responsável por resolver o dilema, dizendo a Edgecomb que está pronto para a morte, pois não suporta mais conviver com tanta dor que há no mundo, fazendo apenas um último pedido: que Edgecomb não cubra seu rosto com o tradicional capuz preto, pois ele não suportaria o escuro. Edgecomb atende seu pedido, e finalmente John é executado. Apesar da aparente negatividade do final da trama, a bondade e inocência de Coffey trazem em contrapartida o sentimento de esperança e fé de que milagres são possíveis mesmo nos lugares em que menos se imagina.