Isabela Braga |
estudante de Design da ESPM. Criei este blog para postar textos interessantes da área de design, comunicação e cinema. |
Esse vídeo pode ser considerado inovador pois trata de um assunto extremamente preocupante com uma linguagem que seria mais adequada a algo divertido, com a animação quase caricata e a música com vozes debochadas.
O recurso que foi utilizado para quebrar essa aura leve e divertida do comercial foi o corte súbito ao final da música para uma tela preta com a mensagem “Uma hora vai voltar pra você”, causando choque no espectador e fazendo-o pensar no nível de seriedade do problema retratado no comercial.
Apesar de ser relativamente antigo, considero esse comercial da Coca-Cola inovador pois aproxima o comportamento dos ursos e dos pinguins ao dos humanos, tanto pela situação em que eles estão, como se fosse uma festa, quanto pelas suas atitudes, gestos e expressões, por meio de uma animação leve e divertida.
O slogan “Give, Live, Love”, associado ao comercial, cria uma situação paradoxal: como animais, considerados irracionais, podem ter atitudes racionais? Situação essa podendo ser observada no momento em que o pinguim filhote se aproxima do ursinho, como sinal de boas-vindas a um grupo ao qual ele aparentemente não pertence.
Esse paradoxo conscientiza o espectador em relação as suas próprias atitudes, além de inspirá-lo a ter o mesmo comportamento que os animais têm no comercial, afim de melhorar o mundo em que ele vive com pequenos gestos.
Considero a propaganda do Audi R8 como inovadora, primeiro pela linguagem escolhida, segundo pela abordagem diferente das comuns em propagandas de carros.
Como obervamos no início da propaganda, o carro é tratado quase como algo obscuro, estranho, e não necessariamente como uma máquina impecável. Ao sair da garagem, depois de alguns obstáculos que não diminuem a adrenalina de dirigir o R8, finalmente vem a experiência maravilhosa de dirigí-lo: em alta velocidade, com um belo cenário, sem preocupações, como é comum de se ver na maioria das propagandas.
Considero inovador na linguagem o uso excessivo de cortes secos, intercalando imagens associativas, seja um céu escuro representando o “outdoor”, a rua, até os faróis do carro e seu painel acendendo representando o próprio carro e tudo aquilo que ele tem a oferecer. A maioria das tomadas são curtas, rápidas, mescladas a algumas mais longas, como a do momento em que ele está parado no semáforo.
Esses aspectos, quando unido ao silêncio absoluto intercalado com sons altos e súbitos, adicionam dinamismo intenso e elevam o comercial do R8 a um outro nível; a de lançar e promover o carro quase como uma “criatura” que despertou de seu sono, e não somente como um novo carro, despertando o interesse do espectador e impressionando-o do início ao fim do comercial.

The Green Mile, ou À Espera de um Milagre, conta a história do oficial Paul Edgecomb (Tom Hanks) e sua experiência no Corredor da Morte da Penitenciária de Cold Mountain, em especial a ligação que cria com o preso John Coffey (interpretado por Michael Clarke Duncan, sendo este seu primeiro papel de expressão no cinema), sendo uma adaptação do romance de Stephen King.
Além de Edgecomb e seus dois companheiros de trabalho, o Supervisor Moores (James Cromwell), o oficial Howell (David Morse) e o insensível e prepotente Percy (Doug Hutchinson), a trama também conta com as personalidades totalmente diferentes dos presos “Wild Bill”, Eduard “Del” Delacroix, e o próprio John Coffey. Cada um reflete diferentes comportamentos e garantem diferentes experiências a Edgecomb.
Coffey é um homem negro, com mais de 2 metros de altura e extremamente forte, o tipo perfeito para ser considerado assassino, como ocorre no filme: Coffey é mandado para o Corredor da Morte acusado do estupro e assassinato de duas gêmeas brancas. “Wild Bill” também está lá pelo mesmo motivo, uma vez que cometeu diversos assassinatos durante um roubo, e “Del” foi condenado por diversos estupros e assassinatos.
Cada personagem apresenta um comportamento, podendo representar os diversos tipos que o homem lida com a morte. “Del” não se mostra mais o assassino de antes: passa todo o filme devaniando e conversando com seu ratinho, Mr. Jingles, que provavelmente foi a única real ligação que teve em toda a sua vida. “Wild Bill” se torna ainda mais obscuro e maldoso no Corredor da Morte, atormentando os policiais, matando o ratinho de Del, etc, fazendo com que inúmeras vezes seja enviado à solitária preso numa camisa de força; e nem isso faz com que ele mude de atitude. A morbidez do ambiente, e da história e do destino dos presos é claramente expressa na estética do filme: pouca luz, silêncio profundo intercalado com eventuais diálogos e alguns sons quase caóticos (a maior parte deles causados pelos escândalos de Wild Bill), alto contraste de claro e escuro, além do caráter frio das cores dos ambientes e do figurino, desde as fardas até as roupas dos espectadores das execuções na cadeira elétrica.
Em contrapartida a essa obscuridade e morbidez, Coffey apresenta um comportamento um tanto peculiar para a situação em que ele está, além de apresentar um dom desconhecido considerado místico e até mesmo mágico. Mesmo acusado de um crime que não cometeu, Coffey não se revolta nem apresenta nenhuma atitude do gênero; ao contrário, tem temperamento calmo, extremamente inocente e até mesmo ingênuo, se considerarmos seu medo incontrolável do escuro. Esse comportamento inesperado desperta a curiosidade de Edgecomb, que começa a se aproximar e criar uma ligação especial com Coffey, duvidando até mesmo de sua culpa no crime do qual foi acusado.
Depois de inúmeros episódios no Corredor da Morte que provam o dom mágico e ressaltam o caráter inocente de Coffey (por exemplo quando Percy pisa no ratinho de Del e Coffey o ressucita, ou então quando Wild Bill provoca Coffey apertando seu braço logo após a execução de Del, fazendo-o sentir que Wild Bill é o verdadeiro culpado pelo estupro e o assassinato das duas gêmeas), Edgecomb pede a Coffey que use seu dom para curar a doença da esposa do supervisor Moores. Apesar de relutante num primeiro momento, Moores aceita que Coffey saia da prisão e vá até sua casa para trazer de volta sua amada esposa. Quando Coffey consegue salvá-la, eis o dilema: libertá-lo ou levá-lo de volta ao Corredor da Morte?
Coffey é o responsável por resolver o dilema, dizendo a Edgecomb que está pronto para a morte, pois não suporta mais conviver com tanta dor que há no mundo, fazendo apenas um último pedido: que Edgecomb não cubra seu rosto com o tradicional capuz preto, pois ele não suportaria o escuro. Edgecomb atende seu pedido, e finalmente John é executado. Apesar da aparente negatividade do final da trama, a bondade e inocência de Coffey trazem em contrapartida o sentimento de esperança e fé de que milagres são possíveis mesmo nos lugares em que menos se imagina.

O filme Thirteen, dirigido por Catherine Hardwicke, narra a história de Tracy (Evan Rachel Wood), que aos 13 anos se torna amiga da garota mais popular de sua escola, Eve (Nikki Reed), e isso muda sua vida completamente. Tracy, sempre boa filha e boa aluna, tinha uma vida sem luxos e com alguma dificuldade, mas parecia levá-la com facilidade e até um certo bom-humor. Ao ver Eve e invejá-la, faz de tudo para se parecer com ela e suas amigas, até que consegue e finalmente se torna sua melhor amiga. A partir desse momento, Tracy sofre influência da vida conturbada de Eve e entra para o mundo das ruas e das drogas, desencadeando conflitos familiares e muito drama.
A estética do filme transmite bem a morbidez do enredo, que, num primeiro momento pode não parecer tão pesado, mas ao passar do tempo e dos acontecimentos, podemos sentir a profundidade e a obscuridade das dificuldades da vida de Tracy. As imagens frias, muitas vezes com pouca luz, e com alto contraste de claro e escuro refletem juntas o conflito interno em que Tracy vive com Eve: ela sabe que o que elas fazem é errado, mas para Tracy é a vida perfeita, que a faz esquecer seus problemas e tornar tudo aparentemente mais fácil; afinal, agora ela era a garota mais popular da escola e exercia influência sobre outros alunos, e isso a fazia sentir importante, diferente de como se sentia em sua casa, passando certa dificuldade com sua mãe, seu irmão mais velho e o padrasto problemático.
Thirteen é um filme que trata de um problema real e muito freqüente em todos os tipos de famílias e de classes sociais, com seus diferentes níveis e dimensões, e muitas vezes ignorados pelos pais ou educadores desses adolescentes. Catherine consegue refletir com alguns acontecimentos pontuais e com a estética de seu filme um drama que pode se estender por toda a vida dos jovens e adultos.
O cineasta francês Michel Gondry, conhecido por seus filmes e mais ainda pela sua incrível direção de clipes musicais, se preocupa em fazer com que a estética do clipe seja coerente com o sentimento que a letra e a melodia querem transmitir, de uma maneira não-óbvia, porém facilmente perceptível no decorrer do clipe. Podemos chegar a essa conclusão analisando os clipes de Everlong (Foo Fighters, 1997), Star Guitar (The Chemical Brothers, 2002) e Mad World (Gary Jules, 2004).
http://www.youtube.com/watch?v=IyvvCuIHrJw
A letra da música Everlong é de certa forma emotiva e até mesmo um pouco nostálgica, se considerarmos trechos como
And I wonder
When I sing along with you
If everything could ever feel this real forever
If anything could ever be this good again
No clipe, há uma mistura de sonho e realidade de um casal. Inicialmente, o homem sonha que está salvando sua amada, e é acordado pelo telefone. No sonho da mulher, ela corre perigo e liga para que o mesmo homem a salve, o acordando na realidade, e fazendo com que ele entre em seu sonho e a salve. As imagens da realidade aparecem em preto e branco, e as imagens dos sonhos são coloridas. O clipe com seus diversos elementos, e a música, combinados, nos transmitem a vontade de resgate dos bons momentos e lembranças daquele casal.
http://www.youtube.com/watch?v=0S43IwBF0uM
Em Star Guitar, Gondry se preocupou em valorizar a melodia, uma vez que se trata do universo da música eletrônica, no qual raramente há letras e se valoriza o som. Essa intenção de fortalecer o impacto da melodia é facilmente notado no decorrer do clipe, onde aparecem elementos do cotidiano como postes, casas e caminhões marcando o compasso da música. Quanto mais elementos sonoros, mais elementos visuais, transmitindo a sensação de calma ou de agitação de acordo com o momento da música.
http://www.youtube.com/watch?v=4N3N1MlvVc4
Na versão de Gary Jules de Mad World, a melodia é triste e a voz de Jules bastante serena, tornando um tanto paradoxal a relação desses elementos com a letra da música, que trata justamente da confusão e da loucura do mundo. Percebemos essa “loucura do mundo” nas imagens formadas pelas crianças na calçada mescladas com imagens cotidianas, como crianças andando de bicicleta e jogando basquete. Essa mistura pode também representar a loucura do “personagem” (imagens na calçada) em relação ao mundo que ele vive (imagens do cotidiano).
La Fúria Roja

O filme Black Swan, dirigido por Darren Aronofsky, conta a história da bailarina Nina (Natalie Portman) e a sua luta consigo mesma para conseguir interpretar, com perfeição, o papel da Swan Queen no espetáculo O Lago dos Cisnes. Os figurinos e cenários são compostos quase que exclusivamente por elementos do universo do balé clássico, como o teatro e a academia, e roupas características, desde os moletons que as bailarinas usam nos ensaios até os collants, tutus e a maquiagem carregada utilizados nos espetáculos.
A luz e o movimento das câmeras, na maior parte das cenas, faz com que o espectador imerja no conflito interno de Nina, que, ao mesmo tempo que interpreta o Cisne Branco com a sua natural pureza, necessita desafiar sua própria personalidade para interpretar o obscuro Cisne Negro. As cores frias e escuras, a pouca iluminação e os bruscos movimentos das câmeras refletem fortemente a confusão da personagem.
Outro elemento fundamental na representação do conflito de Nina é a trilha sonora, que conta com músicas do compositor russo Tchaikovsky. Suas composições são fortíssimas e bastante marcantes, especialmente pelo fato de serem, em certos momentos, sutis e discretas, e subitamente crescerem e se tornarem exageradas e dramáticas.
O diretor Aronofsky consegue, com excelência, fazer com que o espectador mergulhe no universo e no psicológico de Nina, aumentando a tensão e a curiosidade durante todo o filme e tornando quase impossível de se chegar a uma conclusão sobre sua loucura ou sua sanidade.